Eu moro no mesmo lugar há mais de 50 anos. Por causa de uma curva, há uma pequena sucessão de sinais de trânsito próximos uns dos outros. E isso foi fundamental para evitar os terríveis acidentes que aconteciam com os que trafegavam em alta velocidade nessa curva.
Pessoas pouco civilizadas não respeitam regras: elas se dão muitas desculpas para estar do lado errado. Acho que esta é a razão de muitos carros avançarem os sinais ou acharem que podem parar no sinal mais à frente e que não precisam parar no primeiro sinal.
Toda vez que eu vejo um carro avançar o sinal, eu falo: "— Olha o sinal!". Não xingo, não digo nada além disso. Pela quantidade de vezes que já disse isso esse meu grito na selva da incivilidade já estaria mais famoso que o grito do Tarzan.
Eu esperava que isso melhorasse ao longo desses 50 anos — essa era a minha esperança —, mas não; os avanços são mais constantes agora. É como se essa pressa imposta pela agitação eletrônica e pela busca desse prazer imediato, promovido pelo consumo, aumentasse — e muito — a desregulação emocional das pessoas e, com isso, a dificuldade de obedecer a regras simples, muito importantes para o convivivo civilizado nas cidades.
Motos e bicicletas também atropelam, mas é como se o sinal não existisse para eles. Esta rua fica num bairro de idosos, com muitos colégios, e crianças e jovens atravessam os sinais o tempo todo. Além disso, é uma rua com pontos turísticos, e é patente o "recibo" que a falta de boas maneiras e civilidade passa sobre o nosso país para os estrangeiros.
Seguir as instruções de segurança é uma expressão fundamental de civilidade e autocontrole, e cada pessoa deveria cuidar de se tornar um membro "civilizado" da sociedade. A transição de restrições externas (leis e força) para o autocontrole interno é uma característica marcante da pessoa verdadeiramente educada.
Liderança No Volante: O Poder Do Seu Exemplo
A civilidade no trânsito está profundamente ligada ao processo de internalização das regras sociais. Em sociedades mais organizadas, as restrições externas, como leis e punições, são gradualmente substituídas por mecanismos internos de autocontrole. Parar em um sinal vermelho, mesmo quando não há outros veículos à vista, é um exemplo clássico dessa internalização comportamental. A obediência deixa de ser motivada pelo medo da multa e passa a ser orientada por um senso interno de responsabilidade e decência.
Quando um motorista avança o sinal, ele não está apenas infringindo uma norma de trânsito, mas sinalizando que sua conveniência imediata se sobrepõe ao bem coletivo. Esse gesto aparentemente pequeno carrega um significado social relevante, pois rompe o pacto implícito de confiança que sustenta a convivência urbana. A civilidade no trânsito exige justamente o oposto: a capacidade de conter impulsos, respeitar limites e reconhecer que a rua é um espaço compartilhado.
A esperança de que esse comportamento melhore ao longo dos anos é legítima, mas a realidade mostra um agravamento do problema. A aceleração da vida moderna, associada à busca constante por prazer imediato, enfraquece o autocontrole e normaliza a transgressão. Nesse contexto, lembrar alguém de forma simples e não agressiva, dizendo apenas “olha o sinal”, torna-se um ato quase pedagógico: uma tentativa de reintroduzir a consciência moral no cotidiano.
Civilidade No Trânsito Como Respeito Ao Bem Comum E À Dignidade Humana
A civilidade no trânsito é, antes de tudo, uma expressão de respeito ao bem comum e à dignidade humana. As regras de segurança existem para prevenir o caos social e reduzir conflitos potencialmente fatais. Cada semáforo, faixa de pedestres ou placa de parada representa um acordo coletivo destinado a proteger vidas, especialmente as mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Em bairros com escolas e grande circulação de jovens, o desrespeito à sinalização adquire um caráter ainda mais grave. Quando motoristas ignoram sinais, colocam em risco não apenas a si mesmos, mas a todos ao redor. A civilidade no trânsito se manifesta justamente na capacidade de considerar o impacto das próprias ações sobre desconhecidos, reconhecendo neles a mesma dignidade que se atribui a si próprio.
Além disso, em áreas turísticas, como é o caso desta minha rua, o comportamento no trânsito funciona como um cartão de visitas do país. A falta de boas maneiras e de respeito às regras transmite aos estrangeiros uma imagem negativa, associada à desordem e à negligência com a vida humana. Assim, a civilidade no trânsito ultrapassa a esfera individual e torna-se uma questão de identidade coletiva e reputação social.
Responsabilidade, Protocolo E Segurança Como Formas De Cuidado
Seguir instruções de segurança é também uma forma direta de exercer responsabilidade e cuidado. Em diversos contextos sociais, essa responsabilidade é entendida como um dever moral. No ambiente doméstico, proteger crianças de riscos é visto como uma obrigação inquestionável. Em atividades esportivas, viagens ou navegação, o cumprimento rigoroso de protocolos garante a segurança de todos os envolvidos e preserva a dignidade das instituições e das pessoas.
No trânsito, o protocolo funciona de maneira semelhante. As regras existem para orientar comportamentos em situações de risco elevado, evitando que decisões impulsivas, tomadas sob estresse ou pressa, resultem em tragédias. A civilidade no trânsito depende da aceitação desses protocolos como parte de uma ética cotidiana, e não como obstáculos inconvenientes.
Ignorar essas normas equivale a afirmar que o capricho pessoal vale mais do que a vida alheia. Por isso, a civilidade no trânsito pode ser comparada à estrutura de um edifício: enquanto gestos de cortesia tornam o ambiente mais agradável, o respeito às regras de segurança impede que toda a construção social desmorone. Proteger a si mesmo e aos outros do mal cotidiano da imprudência é um exercício contínuo de consciência e maturidade pessoal e cidadania. Quando deixaremos de ser subdesenvolvidos depende largamente do cumprimento regular das regras da vida em sociedade, em todas as esferas e níveis.
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